Um site que oferecia criptomoedas por posts de apoio a políticos apagou as mensagens e afirma que não voltará a falar de política até o segundo turno das eleições.
O movimento, que ligava apoio eleitoral à ajuda ao grupo Hyperkids África, provocou reações, remoção de conteúdo e pedidos de investigação por possíveis irregularidades eleitorais.
As informações sobre a oferta, a retirada dos posts e a promessa de devolução de tokens foram divulgadas por veículos que acompanharam o caso, e estão sintetizadas a seguir, conforme informação divulgada pela Folha de S.Paulo, com atualizações da BBC, TV Brasil e Agência Brasil.
Como funcionava a oferta de criptomoedas
A página explicava que se tratava de “um movimento que une apoio ao voto 22 e a proposta de ajuda às Hyperkids a concluir sua casa em Kampala”, segundo matéria da Folha de S.Paulo.
O esquema prometia enviar tokens ou criptomoedas em troca de publicações de apoio a nomes como o deputado Nikolas Ferreira, o candidato Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal, citados no próprio conteúdo divulgado.
O perfil do grupo beneficiado, Hyperkids África, é bastante popular e tem quase 13 milhões de seguidores, segundo as reportagens que acompanharam o caso.
Retirada de conteúdo e devolução de tokens
O vídeo publicado pelo grupo Hyperkids sobre a iniciativa já foi retirado do ar, e a repercussão negativa levou a reações públicas.
A BBC informou que o Hyperkids teria se comprometido a devolver os tokens recebidos pela publicação, após a reação negativa do público, segundo reportagem citada nos veículos que cobriram o caso.
No próprio site, os responsáveis afirmaram que nunca tiveram a intenção de infringir qualquer legislação e que retiraram toda a comunicação relacionada à política, dizendo que, até o dia 25 de outubro, vão focar apenas no apoio ao grupo das crianças de Uganda.
Potenciais implicações legais e pedidos de apuração
O episódio trouxe questionamentos jurídicos, porque “A Lei das Eleições diz que é proibida a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, exceto o impulsionamento de conteúdo”, conforme reportado pela Folha de S.Paulo.
A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou desconhecer a autoria do site da criptomoeda e informou que vai tomar todas as medidas judiciais contra a publicação, segundo nota divulgada à imprensa.
A Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição do presidente, pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral a identificação dos responsáveis e a investigação de possíveis crimes eleitorais, conforme registros públicos das solicitações.
O que vem a seguir
Com a retirada dos conteúdos e promessas de devolução, autoridades eleitorais e as partes envolvidas podem requerer perícias, rastreamento de transações em criptomoedas e apuração sobre financiamento de propaganda.
O caso será acompanhado até que haja uma definição sobre responsabilidades e eventuais medidas judiciais, enquanto o site mantém o compromisso público de se concentrar no apoio ao Hyperkids África nos próximos dias.