Relatório técnico do TSE aponta ausência de desinformação no canal Exército do Lula, mas ressalta riscos por alcance, encaminhamentos e orientação à mobilização
O Tribunal Superior Eleitoral avaliou publicações do canal do Whatsapp nos dias mais recentes e não identificou reprodução de temas apontados como fake news.
Apesar da ausência de conteúdos classificados como desinformação, os técnicos chamaram atenção para a grande audiência e para sinais de atuação coordenada que podem ameaçar a integridade do processo eleitoral.
As conclusões constam em relatório da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação, solicitado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, nesta segunda-feira, conforme informação divulgada pela Assessoria do Tribunal Superior Eleitoral.
O que foi verificado
A assessoria do Tribunal Superior Eleitoral afirmou que não encontrou conteúdos de desinformação no canal do Whatsapp “Exército do Lula”. A verificação considerou textos das mensagens, pré-visualizações de links, miniaturas e títulos de vídeo, e áudios transcritos.
O documento afirma ainda que, “entre as publicações de 2 a 11 de outubro não foram encontradas reproduções dos temas apontados.” Essa revisão foi feita após a determinação do presidente do TSE, que chegou a ordenar a retirada do canal do ar, medida que depois foi suspensa pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
Riscos apontados pelos técnicos
O relatório não ignora o potencial de dano, e descreve riscos à integridade das eleições relacionados à grande audiência, aos muitos encaminhamentos de mensagens e às orientações de mobilização. Também chamou atenção o uso de linguagem com lógica de confronto, que pode aumentar a polarização.
Os técnicos ressaltam que mesmo sem desinformação explícita, a combinação de alcance massivo e coordenação pode amplificar narrativas e influenciar o ambiente eleitoral.
Quem está por trás e repercussão
Segundo o documento, o canal “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones, tem 3,7 milhões de seguidores. O relatório também menciona que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro tem um canal para disseminação de informações da campanha, “Tropa do Flávio”, com um 1,4 milhão de seguidores.
Flávio Bolsonaro havia pedido a derrubada do canal por supostas fake news, citando menções a Nossa Senhora Aparecida e alegações sobre cortes em benefícios sociais, mas conforme o relatório não foram encontradas reproduções desses temas no período analisado.
Próximos passos e implicações
O caso ilustra o desafio de fiscalizar canais de grande alcance em plataformas privadas, e evidencia a tensão entre medidas de moderação e garantias processuais. O TSE deverá acompanhar a evolução das publicações, e as decisões sobre remoção de conteúdo permanecem sob análise, diante de recursos e decisões da corregedoria.
Em resumo, técnicos do TSE não identificaram desinformação, porém alertaram para o risco real decorrente do alcance e da mobilização coordenada, eventos que podem afetar a integridade do pleito.