O relatório das organizações aponta um aumento dos ataques durante a corrida eleitoral, com casos que vão de ameaças a assassinatos, e um impacto direto sobre a participação política, especialmente de grupos vulneráveis.
Os episódios ocorreram sobretudo em atos de campanha e eventos públicos, e uma fração significativa se deu no ambiente digital, mostrando novos vetores de risco e intimidação.
Os números e os relatos da pesquisa das organizações confirmam a gravidade do tema, conforme informação divulgada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global.
Números e tipos de violência
“O Brasil registrou um caso de violência política a cada nove horas durante os 50 dias de campanha do primeiro turno das eleições de 2026.”
“Foram 134 ocorrências entre 16 de agosto e 4 de outubro, número superior aos 121 casos registrados no primeiro turno de 2022.”
Ameaças, ofensas e agressões físicas foram os casos mais recorrentes. Durante o período, houve dois assassinatos, um deles foi um vereador, e o outro, um secretário municipal, além de 11 atentados.
“Já o ambiente virtual concentrou 31% dos casos.”, o que mostra que a violência política não se limita ao espaço físico e incorpora novas formas de silenciamento.
Quem foram as vítimas
“Nesse primeiro turno, mais de 50% das vítimas eram mulheres.”
“Além disso, 76% dos episódios foram contra candidatos, na maioria também mulheres.” Esses dados indicam uma concentração de ataques sobre quem disputa e representa publicamente propostas e pautas.
A diretora-executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho, alerta para o efeito desses ataques sobre a democracia e a participação, quando diz, “A violência não pode ser tratada como parte natural da disputa eleitoral. Quando as ameaças e os ataques são usados para intimidar candidatura, impedir as atividades de campanha e silenciar propostas, o direito à participação política é muito afetada. Então cabe as instituições garantir que a violência não determine quem vai poder participar ou não do jogo eleitoral, ocupar ou exercer cargos de poder.”
Onde ocorreram os ataques
“A maior parte dos casos ocorreu durante atividades de campanha ou eventos públicos.” Entre os estados, “São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram o maior número de ocorrências.”
O relatório também destaca que a violência se manifesta de modos distintos conforme as identidades, com campanhas online e ofensas direcionadas se somando às agressões presenciais.
Sobre o quadro mais amplo, o documento registra que “No período pré-eleitoral, entre outubro de 2024 e agosto deste ano, foram registrados 354 episódios de violência política.”
Impacto e respostas institucionais
Glaucia Marinho comenta os ataques aos grupos mais vulneráveis, apontando que “Os homens são atacados por sua atuação política. Já as mulheres, as pessoas negras e trans enfrentam também o machismo, o racismo e a transfobia que estrutura a sociedade brasileira. E quando essas formas de discriminação se cruzam, reforçam e ampliam as barreiras que impedem a participação política tornando ainda mais difícil o acesso e a permanência de grupos historicamente vulnerabilizados em espaços de poder.”
Especialistas e entidades cobram ações públicas e mecanismos de proteção para candidaturas e eleitorado, com o objetivo de garantir que a violência política não determine quem participa do processo eleitoral e que instituições atuem para prevenir e punir ataques.
O levantamento das organizações traz um panorama que exige atenção das autoridades, partidos e da sociedade civil para preservar a participação democrática e proteger candidatos e candidatas contra intimidação e violência.