UFMA cria o Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial, Inhame, para mapear o potencial energético e avaliar impactos ambientais e sociais na região
A Universidade Federal do Maranhão lançou um instituto para concentrar estudos sobre a Margem Equatorial, região estratégica que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, e suas oportunidades e riscos.
O objetivo é integrar pesquisa sobre petróleo, gás, energia renovável, biodiversidade e desenvolvimento socioeconômico, com participação de acadêmicos e setor produtivo.
A cerimônia de lançamento reuniu representantes de universidades, indústrias e agências de fomento, conforme informação divulgada pela UFMA.
Três frentes de pesquisa e áreas de atuação
O novo instituto, batizado Inhame, organizará sua atuação em três eixos, energia, sustentabilidade e meio ambiente, e desenvolvimento socioeconômico, com estudos sobre petróleo e gás, fontes eólica e solar, tecnologias de exploração no mar, infraestrutura e segurança energética.
No eixo ambiental, serão conduzidas pesquisas sobre biodiversidade, oceanos, conservação e monitoramento dos ecossistemas costeiros e marinhos que marcam a Margem Equatorial, região que inclui bacias como Pará-Maranhão e Barreirinhas.
Estrutura universitária e parcerias internacionais
A iniciativa envolve diferentes áreas da universidade, como engenharia, oceanografia, geociências, biologia, química, computação, inteligência artificial, economia e direito, além de participação de pesquisadores nacionais e internacionais, inclusive do Japão e dos Estados Unidos.
O lançamento no Palácio Cristo Rei, em São Luís, foi conduzido pelo reitor Fernando Carvalho Silva e pelo diretor do instituto, Allan Kardec Duailibe, professor da UFMA e presidente da Gasmar. O evento contou ainda com representantes da Fiema, Fapema, Sebrae-MA e Finep.
Projeções econômicas e desafios para a indústria local
Estimativas reunidas pela Confederação Nacional da Indústria, citadas pela UFMA, apontam que a exploração da Margem Equatorial pode acrescentar até R$ 10,9 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) maranhense e gerar mais de 50 mil empregos na indústria, no comércio e nos serviços, números que resultam de simulações do Observatório Nacional da Indústria, e não de resultados já alcançados.
Para aproveitar essas oportunidades, entidades como a Fiema destacam a necessidade de qualificação profissional, infraestrutura, estudos técnicos e condições de investimento. Entre as propostas está a preparação do complexo portuário de São Luís para atender uma eventual demanda da atividade petrolífera, além de melhorias logísticas e formação de fornecedores.
Agenda ambiental, social e o papel do conhecimento
O instituto pretende servir de base técnica para a avaliação de impactos e condicionantes ambientais exigidos para projetos de exploração, oferecendo subsídios ao poder público, às empresas e à sociedade.
O reitor afirmou que “O Instituto parte de uma ideia simples: energia, meio ambiente e desenvolvimento humano não podem ser tratados separadamente”, e Allan Kardec reforçou que “Não é possível discutir a Margem Equatorial olhando apenas para petróleo e gás. O desafio é compreender como a riqueza e as oportunidades desta região podem ser transformadas em desenvolvimento duradouro para o Maranhão e para o Brasil, com conhecimento científico e responsabilidade ambiental”.
Além de gerar dados sobre riscos e tecnologias, o Inhame busca analisar os efeitos socioeconômicos sobre emprego, renda, cadeias produtivas e populações locais, incluindo comunidades quilombolas e ribeirinhas, com foco em transformar conhecimento científico em políticas e práticas que protejam o meio ambiente e ampliem benefícios locais.