Senadores iniciam o segundo dia de discussão da PEC que acaba com escala 6×1 no Senado, com previsão de votação na semana que vem, oposição articulada para barrar o texto e PL em mobilização
A proposta que pretende pôr fim à escala 6×1 voltou ao centro das discussões no Senado, nesta fase do processo legislativo marcada por articulações partidárias e pressões públicas.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou que a proposta pode ser votada em dois turnos já na semana que vem, mas a confirmação depende do andamento dos trabalhos e da presença de senadores em plenário.
A oposição se organiza para tentar impedir a aprovação, inclusive com a estratégia de reduzir o quórum por meio de ausência em plenário, medida que ganhou força após o primeiro turno eleitoral.
Conforme informação divulgada nas fontes fornecidas.
Disputa política e discurso dos candidatos
O tema foi um dos mais debatidos na campanha eleitoral, e candidatos trouxeram propostas distintas sobre a PEC que acaba com escala 6×1. Do lado do PL, Flávio Bolsonaro reafirmou sua posição contrária ao fim da escala e defendeu alternativa focada em remuneração por horas trabalhadas.
Em declaração reproduzida nas fontes, Flávio disse, “O meu posicionamento é o que já é público. É que eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que tá na mesa, que é dar liberdade pro trabalhador escolher a sua própria carga horária. Por exemplo, trabalhar 4 horas por dia, 4 horas de manhã, ou 4 horas à tarde, ou trabalhar no final de semana. Então a nossa proposta é dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade e a sua necessidade”.
Resposta de Lula e confiança na votação
Do outro lado, o ex-presidente Lula, candidato do PT, criticou as posições contrárias ao fim da escala e declarou confiança na condução do presidente do Senado, e na posição do plenário.
Lula afirmou, “Eu estou confiante que o presidente Alcolumbre vai colocar em votação, estou confiando que o Senado vai repetir a decisão que já foi tomada pela Câmara e estou confiante que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor do fim dessa escala que faz as pessoas trabalharem seis dias e fica só um em casa”.
Estratégia do PL e articulação parlamentar
Como parte da estratégia para enfrentar a pressão pela manutenção da 6×1, o PL organizou uma série de reuniões. Na quarta-feira, o partido se reúne à tarde com Flávio Bolsonaro, governadores, senadores e deputados eleitos, além de encontros prévios com partidos que declararam apoio no segundo turno, como PP e União Brasil, e, depois, com o Novo.
A movimentação mostra que o debate sobre a PEC que acaba com escala 6×1 seguirá acirrado, com forte influência do resultado eleitoral recente, que levou parlamentares de perfil mais conservador ao Congresso.
Cenário para a votação e próximos passos
Apesar do compromisso público de Davi Alcolumbre em levar a matéria a votação em dois turnos, a aprovação ainda não é dada como certa, porque a oposição tem instrumentos para atrasar ou impedir o quórum.
Nas próximas sessões, os pontos centrais serão a contagem de apoios entre os senadores, a capacidade de obstrução da oposição e o calendário definido pela mesa do Senado. A indefinição sobre a presença de agenda pública de campanha do ex-presidente Lula neste dia reforça a atenção ao voto dos senadores.
O debate seguirá na Casa, com articulações internas e repercussão política, enquanto trabalhadores, partidos e governadores acompanham os desdobramentos da discussão sobre a PEC que acaba com escala 6×1.