Nunes Marques decidiu suspender o Exército do Lula no WhatsApp, por entender que a estrutura atuava como meio de transmissão em massa de conteúdos já reconhecidos como inverídicos pela corte
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal Exército do Lula no WhatsApp após pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro, no contexto do segundo turno presidencial.
A decisão atinge uma das principais estruturas de mobilização digital coordenadas por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e foi tomada com base na análise de que o canal reproduzia, em larga escala, materiais considerados destituídos de fundamento pelo TSE.
Segundo as informações, a petição chegou ao gabinete de Nunes Marques às 16h24 de sábado (10), e a decisão foi proferida menos de 24 horas depois da apresentação do pedido, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o canal foi suspenso
Na avaliação do presidente do TSE, o canal passou a funcionar como instrumento de divulgação em larga escala de materiais que já haviam sido considerados pelo tribunal como desprovidos de fundamento mínimo, e que vinham acompanhados de orientações para contornar mecanismos de segurança da plataforma.
O ministério entendeu que a existência de uma estrutura de comunicação centralizada, com capacidade de alcançar milhões de pessoas, exigia a aplicação das medidas de controle previstas pelo próprio WhatsApp, e por isso a suspensão foi determinada pela Presidência do tribunal.
Crescimento e mobilização, números citados
Coordenado pelo deputado eleito André Janones, o canal teria passado de aproximadamente 50 mil para quase dois milhões de seguidores em menos de 48 horas após o primeiro turno, reunindo conteúdos e orientações para atuação nas redes sociais.
Antes da suspensão, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, afirmou que o canal havia alcançado 3,25 milhões de pessoas, número que demonstrava o alcance da mobilização digital petista e motivou críticas da campanha adversária.
Outra frente no TSE e prazos processuais
Paralelamente à decisão da Presidência, tramita outra representação sob a relatoria do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que foca nos conteúdos divulgados pelo canal e na apuração de possíveis irregularidades eleitorais.
Cueva determinou que Lula e Janones apresentem suas manifestações no prazo de cinco dias, e exigiu que a campanha de Flávio Bolsonaro individualize as supostas irregularidades e apresente os arquivos mencionados como provas, ressaltando que admitir o processamento não equivale a reconhecer a veracidade das acusações.
Reações e próximos passos
O anúncio provocou reação imediata entre os responsáveis pela mobilização favorável a Lula, com André Janones classificando a decisão como censura e orientando apoiadores a migrarem para outro canal e uma página no Instagram.
A campanha do presidente informou que recebeu a decisão com estranheza e revolta, e que apresentaria manifestação sobre a medida, enquanto a Presidência do TSE encaminhou cópias da petição e da decisão ao corregedor, para que avalie providências e evite conflitos entre processos distintos.