Campanha de Flávio Bolsonaro amplia atuação no WhatsApp, aciona a Justiça Eleitoral e tenta frear a mobilização pró-Lula que cresceu a 3 milhões de participantes, entre remoções e acusações
A campanha de Flávio Bolsonaro passou a intensificar sua presença no WhatsApp e a recorrer à Justiça Eleitoral para contestar publicações de adversários, após identificar um crescimento da mobilização pró-Lula nas redes, de caráter organizado e de grande alcance.
Além de pedir remoções, a estratégia do PL inclui o estímulo à criação de grupos de apoio, checagem de conteúdos e a divulgação de um site com propostas, em reação à circulação de mensagens que associam o candidato a cortes em programas sociais.
As disputas digitais ocorrem na primeira semana do segundo turno, em meio à briga pela narrativa e pela conquista de eleitores que não votaram nos dois candidatos na etapa inicial, conforme informação divulgada pela redação.
WhatsApp em foco, crescimento da mobilização pró-Lula e resposta do PL
A principal preocupação da campanha de Flávio é o monitoramento do WhatsApp, onde o compartilhamento em conversas privadas torna difícil medir alcance e reagir publicamente. Para enfrentar a onda, a campanha passou a incentivar apoiadores a entrar no canal “Tropa do Flávio”.
O movimento pró-Lula ganhou força depois que o deputado André Janones ampliou o canal “Exército do Lula”, usado para organizar apoiadores e distribuir orientações de mobilização, e que, segundo a reportagem, “o espaço, que tinha aproximadamente 50 mil seguidores antes do primeiro turno, alcançou a marca de 3 milhões de participantes”.
Integrantes do PL classificaram a mobilização coordenada como uma ameaça à disputa pela narrativa e passaram a alertar sobre montagens e informações falsas, pedindo mais engajamento de militantes para rebater conteúdos considerados prejudiciais.
Judicialização, remoções e ações no Tribunal Superior Eleitoral
A disputa digital chegou também ao Tribunal Superior Eleitoral, com a defesa de Flávio apresentando uma ação contra 16 grupos que, segundo os advogados, estariam organizados para divulgar informações falsas ou descontextualizadas sobre o senador.
Na quinta-feira, o ministro André Mendonça determinou a retirada de publicações dos deputados André Janones e Lindbergh Farias (PT-RJ) que atribuíam a Flávio planos de aumentar a idade mínima para aposentadoria, ampliar a jornada de trabalho e estabelecer uma escala de sete dias consecutivos de trabalho.
Mendonça e o ministro Kassio Nunes Marques também determinaram, em outras decisões, a remoção de conteúdos publicados pelo próprio Lula e pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, em medidas que mostram a ação judicial em ambos os lados.
Acusações, respostas e disputa por propostas econômicas
Os aliados de Flávio buscam neutralizar mensagens que associam sua candidatura ao possível fim de programas sociais, e divulgaram que o candidato não pretende extinguir benefícios como o Bolsa Família.
Ao mesmo tempo, a campanha enfrenta cobranças sobre medidas econômicas em estudo pela equipe de Flávio, avaliadas em “aproximadamente R$ 250 bilhões, equivalentes a 2% do Produto Interno Bruto (PIB)”, segundo as discussões mencionadas pela reportagem.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, questionou a falta de detalhamento, afirmando que anunciar o valor de uma redução de gastos não esclarece suas consequências para serviços públicos e para a população.
O que muda até o segundo turno e o papel das redes
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as campanhas combinam mobilização de apoiadores, divulgação de propostas e medidas judiciais para tentar controlar narrativas. A disputa no WhatsApp e em outras plataformas tende a se intensificar, com impacto direto na formação de opinião de eleitores indecisos.
Enquanto a campanha de Flávio investe em organização e em responder judicialmente a conteúdos que considera irregulares, a campanha petista também afirma ser alvo de desinformação, e diz que recorrerá à Justiça contra publicações contrárias.
O cenário evidencia que a mobilização pró-Lula e a reação do PL transformaram o ambiente digital em frente central da disputa, com decisões judiciais, canais coordenados e mensagens que podem influenciar o eleitorado até a data da votação.