A TV Globo anunciou o cancelamento do debate presidencial previsto para a noite desta quinta-feira, após receber duas decisões judiciais que alteraram regras acordadas entre a emissora e os partidos.
Segundo a emissora, as determinações chegaram pouco antes da transmissão e mudaram procedimentos sobre a ausência do candidato Lula, além de assegurar a participação de Renan Santos, do Missão, por decisão do STF.
O episódio, descrito pela Globo como fonte de insegurança jurídica, provocou reação de entidades de imprensa, que classificaram as intervenções como ataque à liberdade de imprensa, conforme informação divulgada pela TV Globo.
Motivo do cancelamento
A principal alteração imposta pela Justiça foi a proibição da exposição do púlpito com o nome de Lula e a impossibilidade de formular perguntas curtas aos ausentes, procedimento que constava no acordo entre a emissora e os partidos.
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, atendeu a pedido da coligação de Lula e invalidou os procedimentos previstos para candidatos que não comparecessem, segundo a Globo.
Decisões judiciais em detalhes
Além da decisão sobre o púlpito, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, garantiu a participação de Renan Santos, após pedido do Solidariedade, e isso foi comunicado à emissora pouco antes do início do programa.
A Globo informou que havia convidado Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Lula, seguindo critério de representação parlamentar, e que uma decisão anterior do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, também assegurou a participação de Romeu Zema, o que mudou o entendimento sobre a contagem de parlamentares para convites.
Reações de entidades e da imprensa
Três entidades de imprensa divulgaram nota conjunta em solidariedade à emissora e criticaram as intervenções judiciais. As organizações afirmaram que as determinações desrespeitaram regras negociadas e prejudicaram o acesso dos cidadãos às propostas dos candidatos.
A nota aponta indignação com a atuação judicial, e traz a íntegra do posicionamento das entidades, na qual se lê:
“A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno. As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos. Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate. Brasília, 1º de outubro de 2026. Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão Associação Nacional de Editores de Revistas Associação Nacional de Jornais”
Impacto para eleitores
A Globo afirmou que a sequência de decisões às vésperas do programa criou insegurança jurídica e classificou as mudanças como interferência indevida na liberdade da emissora de organizar o debate presidencial.
Para as entidades, o cancelamento prejudica o direito dos eleitores de conhecerem propostas, e o imbróglio levanta dúvidas sobre como serão conduzidos futuros debates diante de determinações judiciais que alterem regras previamente acordadas.