Flávio Bolsonaro afirma que defende mudança na Constituição em pontos como reforma do Judiciário, redução da maioridade penal e fim da reeleição, enquanto Lula pressiona pelo fim da escala 6×1
Flávio Bolsonaro reagiu a críticas e disse que, apesar de ter falado em “mudar a Constituição”, defende alterações pontuais em trechos específicos, e não uma revisão ampla do texto constitucional.
O candidato citou reformas no Judiciário, mudanças nas regras de indicação para o STF, redução da maioridade penal e o fim da reeleição como prioridades, e classificou outras interpretações como especulação.
Ao mesmo tempo, o candidato Lula usou vídeos nas redes sociais para convocar atos contra retrocessos e cobrar Flávio sobre a orientação do PL na votação da PEC que acaba com a escala 6×1, que reduz a jornada para 40 horas, com data prevista para votação no Senado.
Conforme informação divulgada pelo PL e por vídeos nas redes sociais do PT.
O que Flávio disse sobre a mudança na Constituição
Após encontro com o partido Novo, que anunciou apoio a sua candidatura, Flávio explicou os limites do que entende por “mudança na Constituição” e afirmou que a bancada eleita terá foco em emendas pontuais.
Em declaração reproduzida pela assessoria, ele afirmou, “Eu sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo. Isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que tem que ser alterados por PEC. O fim da reeleição tem que ser feito. A reforma política tem que ser feita. Qualquer coisa diferente disso é especulação.”
Ele também mencionou a intenção de alterar regras de indicação ao Supremo Tribunal Federal, como parte de uma “reforma no Judiciário”, e reforçou que qualquer proposta além desses pontos seria mera especulação.
O recado de Lula sobre a PEC 6×1
Lula gravou dois vídeos em formato selfie nas redes sociais, um convocando a população para manifestações contra retrocessos e outro cobrando diretamente Flávio Bolsonaro sobre a posição do PL na PEC que trata da escala 6×1.
Na gravação, o ex-presidente questionou a orientação do partido, e disse, “Eu quero saber como é que ele vai orientar o PL para votar. O que é o fim da escala 6X1? É o trabalhador deixar de trabalhar seis dias e descansar só um, para trabalhar só cinco dias e ficar dois em casa. É isso que é o fim da escala 6X1. Agora chegou a hora do povo saber a verdade: quem é quem nesse país”.
Segundo Lula, o fim da escala 6×1 é uma demanda dos trabalhadores e exige responsabilidade das lideranças partidárias na votação.
O que prevê a PEC 6×1 e o calendário no Senado
O Senado entrou no segundo dia de discussão da PEC que trata da jornada e da escala, e o projeto tem pontos centrais que motivam o debate público e político.
Além de acabar com a escala de seis dias trabalhados para um só de folga, ela reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas gradualmente. Sem redução de salário. A previsão de votação da PEC é na quinta-feira da próxima semana, dia 15.
Enquanto Lula defende a proposta como avanço social, Flávio e setores do PL já se posicionaram contrários ao fim da escala 6×1, classificando parte da medida como oportunista, o que aumenta a pressão sobre a bancada na reta final de tramitação.
Possíveis desdobramentos políticos
A explicação de Flávio sobre a mudança na Constituição tenta conter receios de alterações abrangentes, ao mesmo tempo em que coloca na agenda pontos sensíveis, como o Judiciário e a maioridade penal.
Já a cobrança de Lula sobre a PEC 6×1 transforma a votação em termômetro político, com impacto direto na opinião pública e nas mobilizações de trabalhadores, e com prazo curto até a votação marcada.
O desenrolar nos próximos dias deve mostrar se as bancadas seguirão as orientações dos líderes partidários ou se haverá dissidências que podem alterar o resultado final da PEC.