O Maranhão recebe em outubro a primeira edição de um evento dedicado à valorização, circulação e visibilidade das artes cênicas pretas, afroindígenas e afrodiaspóricas.
A noite de lançamento ocorre no Centro Cultural Vale Maranhão, com performance, apresentação das idealizadoras e patrocinadores, e entrada gratuita.
Os detalhes da programação e das ações educativas foram divulgados pela organização responsável, Afrodite Produções, conforme informação divulgada pela Afrodite Produções.
Como será o lançamento
A apresentação de abertura terá a performance Ninho, do artista Leônidas Portella, que corresponde ao primeiro fragmento de Revoada, espetáculo em construção sobre corpo, território, memória e transformação.
Após a performance, as produtoras e idealizadoras, Júlia Martins e Larissa Ferreira, apresentarão o projeto, os objetivos e a programação oficial, com a presença de patrocinadores e apoiadores.
Programação completa e artistas
A primeira edição acontece de 13 a 17 de outubro e ocupará teatros, praças e escolas de São Luís, com programação inteiramente gratuita, incluindo teatro, dança, performances, cenas curtas e oficinas.
Participam produções do Maranhão em diálogo com grupos de Minas Gerais, Ceará, São Paulo, Paraná e Bahia, promovendo encontros entre territórios, linguagens e gerações.
Dentre os espetáculos anunciados estão Língua de Boi, da Cia Maranhense, A Flor do Mulungu, do Coletivo Mulungu, Mover-se como Plantas, da Plataforma GANG, À Sombra da Goiabeira, do Teatro Negro e Atitude, Malemole, da Companhia Déborah Santos, O Tiro, de Luiz Lucas, Histórias da Terra, do Grupo Baquetá, e Parto Pavilhão, com Aysha Nascimento, direção de Naruna Costa e texto de Jhonny Salaberg.
As performances ampliam esse mosaico, com trabalhos como Abayomis, de Ayanna Monteiro, Angel Karvalho e Jennifer Froes, Insaciável, de Tamia Machado, Cuidado com Nós, de Aquariane, Oculto, de Ruan Francisco, além da convidada Yarara Xaxará, de Tiyê Macau.
Formação, escolas e mediação
A programação de formação inclui oficinas de teatro, dança, dramaturgia, cultura popular e produção criativa, com atividades em equipamentos culturais e instituições de ensino.
Entre as oficinas estão Estética da Atitude e Poética da Negrura, com o Teatro Negro e Atitude, Dançar a Floresta com as Yabás, com Inaê Moreira, além de ações conduzidas por artistas e pesquisadores maranhenses.
O festival também desenvolverá ações educativas e de mediação em escolas públicas, aproximando estudantes das artes cênicas e das narrativas negras, com apresentações de cenas curtas em ambiente escolar.
Intenções e fala das organizadoras
A produtora Larissa Ferreira destaca a diversidade da programação como propósito central, incluindo o seguinte trecho do material divulgado, “Queremos que o festival seja um espaço onde diferentes expressões das artes cênicas negras possam se encontrar. Temos artistas do Maranhão dialogando com produções de outros estados, diferentes gerações, linguagens e formas de pensar a cena. Realizar esse encontro aqui é também afirmar a potência da produção artística negra maranhense e criar pontes com o que vem sendo produzido em outras partes do país.”
A produtora Júlia Martins também afirma a importância simbólica do evento para o estado, citando, “Realizar um festival dedicado às artes cênicas pretas no Maranhão tem uma força simbólica muito grande. Estamos em um território profundamente marcado pela presença e pelas contribuições da população negra, pela ancestralidade e por manifestações culturais que atravessam a nossa própria maneira de produzir arte. O festival nasce para reconhecer essa potência, ampliar espaços de expressão e colocar essas produções no centro da cena, em diálogo com artistas de diferentes partes do Brasil.”
Realização, patrocínio e serviço
O festival é realizado pela Afrodite Produções, apresentado pelo Ministério da Cultura, com patrocínio master da Vale por meio da Lei Rouanet, patrocínio do Sebrae, e apoio do Sesc Maranhão, Centro Cultural Vale Maranhão, Secretaria Municipal de Cultura de São Luís, Curso de Licenciatura em Teatro da UFMA e Maximus Transportes.
Serviço, lançamento, data e local, conforme divulgação: data, 9 de outubro de 2026, local, Centro Cultural Vale Maranhão, Rua Direita, 149, Praia Grande, Centro Histórico de São Luís, entrada gratuita. Festival, 13 a 17 de outubro de 2026, programação gratuita, confira o cronograma completo no perfil @festivaldeartescenicaspretama.
A cena preta existe, resiste e ocupa, e a iniciativa pretende ampliar espaços de expressão, formação e circulação para artistas negros, afroindígenas e afrodiaspóricos.