Operação Quíron desvenda esquema e afasta delegado da Polícia Civil no Maranhão por 90 dias
A Polícia Civil do Maranhão deflagrou a Operação Quíron, que resultou no afastamento do delegado Cleosnaldo Brito Sirqueira Júnior, conhecido como Brito Júnior, por 90 dias. A ação investiga cinco tipos de crimes, incluindo peculato, concussão, fraude processual, falsidade ideológica e associação criminosa.
A investigação teve início a partir de uma denúncia anônima e apura condutas relacionadas ao exercício das funções policiais na Delegacia de Grajaú. A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em delegacias e residências nas cidades de Barra do Corda e Grajaú.
Em um sítio, um caseiro foi preso em flagrante com arma e munições. A Justiça determinou o recolhimento da arma de fogo do delegado e proibiu que ele se aproxime da delegacia e dos demais investigados. Conforme informação divulgada pelo g1, as investigações continuam sob responsabilidade da Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor).
Buscas e apreensões em delegacias e residências
Durante a Operação Quíron, as equipes policiais realizaram buscas na Delegacia Regional de Barra do Corda e na residência do delegado afastado. Em Grajaú, as diligências ocorreram na delegacia local e em um sítio ligado ao pai do policial civil. Foram apreendidos celulares e computadores, que serão periciados.
No sítio, foi encontrada uma arma de fogo com munições, o que levou à prisão em flagrante de Charles Aminde Silveira dos Santos, caseiro do local, por suspeita de porte ilegal de arma. A ação visa apurar irregularidades e garantir a lisura dos trabalhos policiais na região.
Delegado afastado alega cerceamento de defesa e perseguição
Em nota e em vídeo divulgado, Brito Júnior declarou que não foi preso e que ainda não teve acesso aos autos da investigação. Ele alegou cerceamento do direito de defesa e levantou a possibilidade de estar sendo alvo de perseguição. O delegado afirmou respeitar a decisão judicial, mas contestou as circunstâncias do caso.
Segundo ele, os fatos investigados já teriam sido justificados e comprovados, embora ainda não tenha tido acesso detalhado ao conteúdo da apuração. Brito Júnior informou que procuraria seu advogado para tratar do caso e expressou confiança em poder esclarecer a situação, mantendo-se tranquilo quanto à sua conduta e ao trabalho desenvolvido.
Entenda o nome da Operação Quíron
O nome da operação, Quíron, faz referência a uma figura da mitologia grega, um centauro conhecido por sua sabedoria, medicina e cura. Segundo a Polícia Civil, a escolha do nome simboliza o fortalecimento e a preservação da integridade institucional.
A denominação busca destacar a importância da identificação, investigação e correção de possíveis irregularidades dentro da própria estrutura policial. A referência também visa distinguir a atuação dos profissionais íntegros daqueles que possam ter condutas incompatíveis com a função pública, evitando generalizações.
Substituição interina na Delegacia Regional
Durante o período de afastamento de Brito Júnior, o delegado Eduardo Galvão, titular do 1º Distrito Policial de Barra do Corda, assumirá interinamente a função de Delegado Regional. A medida visa garantir a continuidade dos trabalhos e a gestão das atividades policiais na área.
As investigações conduzidas pela Seccor prosseguem com o objetivo de esclarecer completamente os fatos e apurar todas as responsabilidades envolvidas. A polícia busca assegurar a confiança da sociedade nas instituições de segurança pública.