Estado alcançou superávit de US$ 341 milhões entre janeiro e julho de 2026, com exportações de US$ 2,849 bilhões, pauta muito concentrada em soja e mercados-chave
O comércio exterior do Maranhão fechou os sete primeiros meses de 2026 com saldo positivo, mesmo com queda nas duas pontas do fluxo comercial.
O resultado reflete vendas elevadas de poucos produtos, e compras direcionadas a combustíveis e fertilizantes, o que deixa a pauta vulnerável a choques de preço e oferta.
Os números e análises constam do Panorama Empresarial da Indústria de agosto, elaborado pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão, a partir de informações do Comex Stat, conforme informação divulgada pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão, a partir de informações do Comex Stat.
Saldo, volume e variação
Segundo os dados oficiais, “O comércio exterior do Maranhão acumulou saldo positivo de aproximadamente US$ 341 milhões entre janeiro e julho de 2026.”
Também na série divulgada, “No período, o estado vendeu US$ 2,849 bilhões ao exterior e importou US$ 2,508 bilhões, apesar da redução registrada nas duas movimentações em comparação com o mesmo intervalo do ano passado.”
Em termos de ritmo, “As exportações maranhenses recuaram 7,4% em relação aos sete primeiros meses de 2025, enquanto as importações diminuíram 1,28%.” Esses números mostram um ajuste na atividade externa, com menor intensidade nas compras.
Produtos que sustentam as vendas
Há concentração no topo da pauta do estado, com destaque para a soja, que lidera com folga. “A soja manteve a maior participação na pauta exportadora. Foram US$ 1,313 bilhão em vendas, equivalentes a 46,10% de tudo o que o Maranhão exportou no período. A China absorveu 85,61% do valor comercializado pelo estado com o produto.”
Em seguida aparecem outros itens de alto valor. “Alumina e celulose aparecem em seguida, com exportações de US$ 610,4 milhões e US$ 427,3 milhões, respectivamente. Somados, soja, alumina e celulose responderam por 82,52% das vendas externas maranhenses.”
Quando outros bens de peso são incluídos, “Quando incluídos ouro em formas brutas e alumínio, os cinco principais produtos alcançaram 90,43% do valor exportado.” Isso deixa a pauta altamente concentrada em poucos produtos.
Destinos e diversificação
O Maranhão vendeu para menos países em 2026, mas ampliou a gama de produtos. “O Maranhão vendeu produtos para 69 países entre janeiro e julho, abaixo dos 80 registrados no mesmo período de 2025.”
Os principais destinos concentram a maior parte das vendas. “China, Canadá, Estados Unidos, Países Baixos e Espanha concentraram 80,8% das exportações.” Em valores, “A China permaneceu como principal destino, com compras de US$ 1,137 bilhão, correspondentes a 39,92% do total exportado pelo estado. O Canadá movimentou US$ 548,4 milhões e os Estados Unidos, US$ 362 milhões.”
Apesar da menor quantidade de países, houve variação na pauta, “A quantidade de categorias exportadas passou de 390 para 423, considerando a classificação do Sistema Harmonizado em quatro dígitos (SH4).”
Importações, fornecedores e riscos
Do lado das compras externas, a base de fornecedores também é concentrada. “Do lado das importações, o Maranhão adquiriu produtos de 62 países. Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita, Egito e Marrocos responderam juntos por 77,50% das compras externas.”
Os Estados Unidos figuram como principal origem das importações, “Os Estados Unidos lideraram com US$ 1,004 bilhão, seguidos pela Rússia, com US$ 528,7 milhões.”
O perfil das compras revela dependência de combustíveis e insumos agrícolas. “Óleos de petróleo e derivados representaram 86,41% do valor importado pelo Maranhão dos Estados Unidos. Já Egito e Marrocos se destacaram no fornecimento de fertilizantes, insumos ligados à produção agrícola.”
O observatório conclui, “O perfil das transações mostra que, embora o Maranhão tenha encerrado os sete primeiros meses de 2026 com superávit comercial, sua pauta externa permanece concentrada. Poucos produtos respondem pela maior parte das exportações, enquanto combustíveis e fertilizantes ocupam parcela relevante das importações.”
O cenário sugere que, apesar do superávit, o comércio exterior do Maranhão segue exposto a variações de mercado e a choques em produtos e parceiros-chave, o que torna relevante a diversificação de mercados e de produtos.