Mulher que tentou defender outra de agressão por Capitão da PM no MA relata ter sido brutalmente atacada e se sentir “deformada”.
Sara Pinto Brito, uma das vítimas agredidas pelo capitão da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA), Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva, falou pela primeira vez sobre o caso. Ela relatou ter tentado intervir ao ver outra mulher sendo espancada em um posto de combustíveis em São Luís.
A agressão ocorreu quando Sara estava em uma loja de conveniência e viu a outra vítima, que também é policial militar, caída no chão. Movida por um impulso de ajudar, Sara decidiu intervir, sem imaginar que se tornaria alvo do militar.
O caso, que ganhou repercussão nacional, resultou no afastamento do capitão de suas funções e na abertura de um procedimento administrativo disciplinar. As informações foram divulgadas pelo g1 Maranhão.
Agressão brutal e desmaio
Sara Pinto Brito contou que, ao ver a outra mulher agredida, seu pensamento foi imediato: “ajuda ela ou ele vai matar ela”. Sem conhecer a outra vítima, ela agiu rapidamente para tentar afastar o capitão. “Meu impulso foi ir para cima, para afastar ele”, relatou.
No entanto, ela foi surpreendida pela reação do militar. “Em nenhum momento eu achei que ele fosse vir para cima de mim”, disse. O capitão, que estava armado, passou a agredir Sara com coronhadas repetidas. “Começa a me dar muita, muita coronhada, muita coronhada, muita coronhada”, descreveu a vítima.
O relato de Sara é chocante, pois ela afirma que as agressões continuaram mesmo após ela perder a consciência. “Na hora que eu fico desacordada. Depois que eu apago, que eu desmaio, ele continua me batendo, ele sai, volta, me dá muito chute na cara, me dá coronhada na cara”, detalhou.
“Estou deformada”, desabafa vítima
As imagens registradas no local, que circulam nas redes sociais, mostram o momento em que Sara se aproxima e é violentamente atacada pelo policial. Ela expressou o profundo impacto psicológico e físico do episódio. “De lá para cá eu estou muito abalada, não estou conseguindo nem dormir”, confessou.
Visivelmente abalada, Sara desabafou sobre as consequências das agressões. “Eu espero que dessa vez, dessa vez, justiça seja feita, porque não é possível eu só tentar defender alguém e ficar dessa forma aqui como eu estou, toda deformada, porque eu estou deformada”, declarou, evidenciando o sofrimento e as marcas deixadas pela violência.
Capitão afastado e Justiça se manifesta
O capitão Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva foi afastado de suas funções na Polícia Militar do Maranhão. Ele prestou depoimento na terça-feira (6) na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís. No entanto, a Justiça negou o pedido de prisão feito pela Polícia Civil no sábado (3).
A negativa da prisão se deu em virtude das restrições previstas na legislação eleitoral, que impedem a prisão de eleitores em período próximo à votação. Um procedimento administrativo disciplinar foi aberto pela corporação para apurar a conduta do militar.
Investigação e histórico do agressor
O capitão Jurambergson também responde a um processo de 2023 por violência doméstica, envolvendo a mesma policial militar que Sara tentou defender. O caso ainda está em andamento na Justiça.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do caso. A SSP informou que os elementos coletados serão encaminhados ao Ministério Público. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Comissão de Direito e Advocacia Militar, acompanha o caso.