Balança comercial brasileira registra expressivo superávit em setembro, atingindo US$ 7,74 bilhões, o dobro do resultado de 2025.
O Brasil fechou o mês de setembro com um resultado surpreendente em sua balança comercial, registrando um superávit de **US$ 7,74 bilhões**. Este valor representa mais que o dobro do saldo positivo obtido no mesmo período do ano passado, quando o país alcançou US$ 3,14 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O desempenho excepcional foi impulsionado principalmente pelo **crescimento robusto das exportações**, que atingiram a marca de **US$ 34,4 bilhões**, um aumento de quase 13% em comparação com setembro de 2025. Esse avanço reflete a força do agronegócio e do setor de petróleo no mercado internacional.
A alta nos preços de commodities foi um fator chave para o resultado positivo, segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério. Ele explicou que o crescimento de 12,9% nas exportações foi resultado de um **aumento de volume de 2,3% e, significativamente, um aumento de preço de 9,9%**. Esse fenômeno de aceleração nos preços tem sido uma tendência observada nos últimos meses, impactando tanto bens exportados quanto importados.
Petróleo e Carne Bovina em Destaque nas Exportações
O setor de **petróleo bruto** foi um dos grandes protagonistas, com um aumento impressionante de **77% nas vendas**, totalizando US$ 2,8 bilhões em exportações. Esse desempenho reflete a recuperação e a demanda global por energia.
Por outro lado, as **importações apresentaram uma queda de 2,4%**, totalizando US$ 26,7 bilhões. Essa retração é explicada pela comparação com setembro de 2025, quando o país realizou a compra de uma plataforma de petróleo no valor de mais de US$ 2 bilhões, o que inflou artificialmente o valor das importações naquele mês. Sem essa operação pontual, as compras de máquinas e equipamentos caíram quase 30%.
Comércio com Principais Parceiros: União Europeia, China e EUA
A **União Europeia** demonstrou um aumento expressivo de **60% em suas compras**, com destaque para a demanda por petróleo brasileiro. Já a **China**, principal parceira comercial do Brasil, reduziu suas importações em **7,6%**. Essa queda foi motivada pela diminuição nas exportações de carne bovina, devido ao atingimento do limite de vendas com tarifa reduzida, o que levou a um aumento de 55% na taxa extra para o excedente, resultando em uma queda de mais de 93% nos embarques do produto.
Em contrapartida, as vendas para os **Estados Unidos cresceram quase 32%**, mesmo diante de tarifas. A **carne bovina** foi o produto que mais avançou nesse mercado, com um aumento de **524%** em setembro em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A exportação de carne bovina para os EUA saltou de US$ 42 milhões para US$ 263,5 milhões, impulsionada pela entrada sem tarifa no mercado americano.
Acumulado Anual Reforça Tendência Positiva
No acumulado de janeiro a setembro, o **saldo positivo da balança comercial ultrapassou os US$ 62 bilhões**. Neste período, as exportações somaram mais de **US$ 284 bilhões**, representando uma alta de 10% em relação ao ano anterior. Esses números consolidam uma trajetória de crescimento e fortalecimento das vendas externas brasileiras.