STF suspende afastamento de Paulo Curió, prefeito de Turilândia, investigado por desvio de R$ 56 milhões em esquema de corrupção
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão do afastamento de Paulo Curió (União), prefeito de Turilândia, no Maranhão. Ele é investigado em um suposto esquema de corrupção que teria desviado R$ 56,3 milhões dos cofres públicos do município.
A decisão, considerada provisória, atende a um pedido de habeas corpus da defesa do prefeito. O ministro avaliou que o cenário da investigação mudou desde o afastamento inicial em dezembro de 2025, e que, após mais de nove meses fora do cargo, não havia mais elementos atuais suficientes para justificar a manutenção da medida.
Com a decisão, Paulo Curió poderá retornar ao cargo, mas sob imposição de novas medidas cautelares. Conforme apurado pelo g1, o prefeito terá que usar tornozeleira eletrônica, fica proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas, e não poderá contratar com empresas que são alvo da investigação.
Prefeito retorna ao cargo após nove meses afastado
Paulo Curió foi afastado de suas funções em dezembro de 2025, após investigações apontarem seu envolvimento em uma organização criminosa. O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) havia mantido o afastamento em julho, por mais 180 dias, visando evitar interferências na coleta de provas.
No entanto, ao analisar o pedido de habeas corpus, Alexandre de Moraes destacou a necessidade de reavaliar as medidas cautelares conforme o processo avança. A revogação da prisão preventiva do prefeito e a apresentação da denúncia pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA) em janeiro de 2026 foram pontos considerados na decisão.
Outro fator mencionado foi a proximidade do período eleitoral. Moraes citou entendimentos anteriores do STF que recomendam cautela do Judiciário em medidas que possam impactar o processo eleitoral, especialmente em períodos próximos às eleições.
Denúncia contra Paulo Curió e familiares por desvio milionário
O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) denunciou Paulo Curió, a vice-prefeita, a ex-vice-prefeita e sete familiares por suspeita de desviar R$ 56 milhões de recursos públicos, em uma operação que apura crimes como organização criminosa, fraude em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
A denúncia foi aceita pela 3ª Câmara Criminal do TJ-MA, transformando os investigados em réus. O MP-MA também ofereceu denúncia contra os 11 vereadores que estavam em prisão domiciliar e servidores suspeitos de participação no esquema. Ao todo, 18 dos 21 investigados foram denunciados.
Paulo Curió é apontado como o líder da organização criminosa, acusado de promover, organizar e dirigir o esquema, além de usar o cargo para mantê-lo em funcionamento. O MPMA detalha que os desvios ocorreram por meio de contratos fraudados, fraudes em licitações, recebimento de vantagens indevidas e ocultação de valores.
Núcleo familiar e político envolvido no esquema
Além do prefeito, a denúncia inclui familiares próximos, como a primeira-dama Eva Dantas, a vice-prefeita Tânia Karla, a ex-vice-prefeita Janaina Soares, o pai do prefeito Domingos Sávo Fonseca Silva, e outros parentes como Marcel Everton Dantas Filho, Taily de Jesus Everton Silva Amorim, José Paulo Dantas Filho, Ritalice Souza Abreu Dantas e Jander Silveiro.
Segundo o MP-MA, esses familiares teriam atuado como laranjas, auxiliando na movimentação, ocultação e dissimulação dos valores desviados. O órgão afirma que o grupo formou uma organização criminosa estruturada com divisão de funções, visando obter vantagens ilícitas.
A defesa de Paulo Curió, representada pelos advogados Rafael Carneiro e Pedro Porto, afirmou que a decisão do STF reforça a necessidade de critério e razoabilidade no afastamento de eleitos, para não violar a soberania popular. Eles consideraram o afastamento prolongado sem análise da acusação uma “grave ilegalidade” corrigida pelo Supremo.
Operação Tântalo II investiga desvios na Saúde e Assistência Social
A Operação Tântalo II, deflagrada em dezembro de 2025, investiga o desvio de R$ 56,3 milhões dos cofres públicos de Turilândia, principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social. Empresas de fachada criadas pelo prefeito e aliados políticos são apontadas como parte do esquema.
O MPMA pede o ressarcimento integral dos valores desviados, a perda de bens e valores ligados ao esquema, a perda de cargos públicos em caso de abuso de poder e a manutenção de medidas cautelares, como bloqueio de bens e restrições de contato entre os investigados.
O retorno de Paulo Curió ao cargo não significa sua absolvição nem o fim da investigação. O processo continua em andamento, com o prefeito e outros envolvidos respondendo judicialmente pelos crimes apontados pelo Ministério Público.