Maranhão registra seis novos casos na ‘lista suja’ do trabalho escravo em atualização nacional
O Maranhão aparece novamente em destaque negativo em relação ao trabalho análogo à escravidão. Na mais recente atualização do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições degradantes, conhecido como ‘lista suja’, o estado teve seis novas ocorrências.
Esses novos registros colocam o Maranhão entre as unidades da federação com maior número de inclusões, empatado com o Amazonas e atrás apenas de Minas Gerais e Bahia. A divulgação foi feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta terça-feira (6).
A atualização nacional, que acrescentou 82 novos empregadores ao cadastro em todo o país, revela um cenário preocupante em diversas regiões. Os dados foram coletados a partir de fiscalizações realizadas entre 2024 e 2026. Conforme informação divulgada pelo g1, a Inspeção do Trabalho identificou as irregularidades em 21 estados brasileiros.
Redução nas inclusões, mas alerta permanece
Apesar da redução de aproximadamente 51,48% no número de novas inclusões em comparação com a atualização anterior, em abril de 2026, a situação no Maranhão demanda atenção. Os seis novos registros do estado integram uma nova rodada de fiscalizações e não se confundem com os quatro casos já divulgados em abril.
A ‘lista suja’ é um importante instrumento de transparência e combate ao trabalho escravo, mantido pelo MTE desde 2003. A inclusão no cadastro ocorre após a conclusão de processos administrativos, garantindo o direito à defesa, e o nome do empregador permanece na lista por dois anos.
Atividades econômicas e estados com mais casos
Em todo o Brasil, os 82 novos registros na ‘lista suja’ envolvem 553 trabalhadores e trabalhadoras submetidos a condições análogas à escravidão. As atividades econômicas com maior incidência de novas inclusões foram a criação de bovinos para corte (oito casos), serviços domésticos (sete), produção de carvão vegetal e produção de café (seis casos cada), e construção de edifícos (cinco casos).
Minas Gerais lidera o ranking com 19 ocorrências, seguido pela Bahia com oito. O Maranhão e o Amazonas aparecem com seis casos cada. Outros estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul e Piauí registraram quatro ocorrências, enquanto Mato Grosso, Pernambuco e Roraima tiveram três.
O que configura trabalho análogo à escravidão
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o trabalho análogo à escravidão é caracterizado por:
- Trabalho forçado,
- Jornada exaustiva,
- Condições degradantes de trabalho.
Também se enquadram nessa definição a restrição de locomoção do trabalhador por dívida, vigilância ostensiva para mantê-lo no local de trabalho, ou a retenção de documentos e objetos pessoais para impedir sua saída. As fiscalizações são coordenadas pela Inspeção do Trabalho e podem contar com a participação de diversos órgãos, como a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho.
Como denunciar
Denúncias sobre possíveis casos de trabalho análogo à escravidão podem ser encaminhadas pelo Sistema Ipê, canal oficial do governo para receber essas informações. Os dados coletados auxiliam na avaliação das denúncias e na definição de ações de fiscalização.