Mercado financeiro revisa projeções: inflação sobe e juros caem em 2026
O mercado financeiro elevou significativamente a estimativa para a inflação em 2026, que agora salta para 5,22%, um aumento considerável em relação à previsão anterior de 5,01%. Essa revisão, divulgada no Boletim Focus do Banco Central, ocorre em paralelo a uma redução na expectativa para a taxa básica de juros, a Selic.
Os dados mais recentes do IBGE indicaram que a inflação oficial em setembro atingiu 0,82%, já demonstrando uma tendência de alta que parece ter sido absorvida pelas projeções do mercado. Paralelamente, a cotação do barril de petróleo segue pressionada, ultrapassando a marca dos US$ 100, reflexo direto dos conflitos geopolíticos, como a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Esses fatores, segundo o economista César Bergo, explicam a recente alta nas projeções inflacionárias. A persistência de pressões, especialmente no setor de energia, preocupa. Conforme informação divulgada pelo Banco Central no Boletim Focus, essa é a nova estimativa para o futuro próximo.
Energia e combustíveis: drivers da inflação em 2026
Apesar da expectativa de adoção da bandeira verde na conta de energia elétrica, que poderia trazer um alívio pontual para o consumidor doméstico, a questão dos combustíveis continua sendo um ponto de atenção. A volatilidade nos preços internacionais do petróleo, mesmo com recentes quedas no dólar e no valor do barril, ainda impacta significativamente os preços dos derivados.
O economista César Bergo ressalta que, embora a energia doméstica possa ter um leve alívio, a instabilidade no mercado internacional de petróleo reflete diretamente nos custos de transporte e produção, elevando os preços finais. Essa dinâmica pressiona a inflação geral, especialmente a de combustíveis.
Alimentos: estabilidade em patamar elevado
No que tange aos alimentos, a expectativa é de uma maior estabilidade, embora os preços continuem pesando no orçamento das famílias. A previsão climática relacionada ao fenômeno El Niño já era considerada, mas o impacto significativo dos alimentos na inflação de setembro surpreendeu.
A previsão agora é que os preços dos alimentos se comportem de maneira mais contida, mas ainda em um nível elevado. Ou seja, embora não devam ser o principal motor de alta da inflação, os custos continuarão sendo um fator relevante para o bolso do consumidor brasileiro.
Selic em queda e crescimento econômico estagnado
Em contrapartida ao aumento da projeção inflacionária, os economistas consultados pelo Banco Central revisaram para baixo a taxa Selic. A expectativa é de um corte mais expressivo na taxa básica de juros, que atualmente está em 13,75%. A projeção aponta para uma taxa de 13,25% ao final do ano, indicando um ciclo de afrouxamento monetário mais rápido.
Por outro lado, as projeções para o crescimento econômico em 2026 permaneceram inalteradas, estimadas em 1,85%. Quanto ao câmbio, o Boletim Focus prevê que o dólar feche o ano cotado a R$ 5,15, demonstrando certa estabilidade na taxa de câmbio.